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quinta-feira, 22 de abril de 2010

4

Só sei que me sinto cheia, repleta - disse a si mesma, ao olhar naqueles olhos que não eram quaisquer. E... Então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada por...que porque o ter e o querer (quando sinceros) são maiores do que qualquer turbilhão e olhando para você eu não vejo mais nada do que o meu reflexo nos seus olhos e penso que às vezes você me dói tanto mas tanto que eu nem consigo respirar mas ao mesmo tempo a minha voz quer dizer tanta mas tanta coisa que eu fico um tempo enorme só olhando para você sem dizer nada absolutamente nada porque cada vez mais os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você ai que vontade de você ai que vontade de não deixar que nada nem ninguém faça do que sinto em te abraçar algo que não é e olhando para você eu não vejo mais nada do que o meu reflexo nos seus olhos e penso que às vezes você me dói tanto mas tanto que eu nem consigo respirar mas ao mesmo tempo a minha voz quer dizer tanta mas tanta coisa que eu fico um tempo enorme só olhando para você sem dizer nada



e enfim, respirar.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

3

Como as pedras imóveis na praia eu fico ao seu lado sem saber dos amores que a vida me trouxe e eu não pude viver. 

Eu perdi o meu medo. O meu medo, o meu medo da chuva. Pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar.
 
- Sorrateiramente ela vai perdendo o medo da chuva. O único problema são os respingos. O orvalho. E o calor que sobe do chão quando chega a calmaria. Como nos dias de verão, espera que tudo seja uma leve brisa em um dia ensolarado, apenas com uma garoa fina. - ao olhar fundo em seus olhos, pode ler nas entrelinhas.

Aprendi o segredo, o segredo. O segredo da vida vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar. Eu não posso entender tanta gente aceitando a mentira de que os sonhos desfazem aquilo que o padre falou. 

Porque quando eu jurei, meu amor, eu traí a mim mesmo.  Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez... Uma vez.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

2

“Meu coração vive de poesia. É abobalhado. Carente. Intenso. Bossa Nova. Cada batida é uma latência emocional. Não sei viver sem ser assim. As palavras me faltam. Nunca sei descrever exatamente o que senti no dia anterior. As palavras! Elas que tanto me escolhem, me deixam de lado quando mais preciso. Deixo a razão de lado. Sinto forte a batida e não penso em mais nada. Ou em tudo. No todo. No engodo. E para que? Entre o certo e o errado, eu prefiro a verdade. E quê? Qual verdade? De que estou a falar? A minha. A minha verdade. Aquela que não existe. Aquela que sinto do lado esquerdo. Aquela que dói. Aquela em que acredito que seja mutável, e que me leva até você – seja lá quem você for”. – pensou em silêncio. Só os ventos puderam sentir.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

1

 “Me peguei a pensar em você. Além disso, procurei algo que encaixasse perfeitamente em você. Pensei em Caio, Clarice, Cecília, Drummond e até em Pessoa, mas nada achei. Na verdade, não procurei com afinco. Não por descaso, mas sim por culpa de certos pensamentos. Pensamentos estes que não me saem da cabeça. Só pensava no que tinha acontecido na noite anterior e em como eu queria que aquele momento, exatamente aquele momento em que você puxou o meu braço e me levou em direção a você fosse eterno, e em como você me vê de um jeito encantador e estranho ao mesmo tempo, que me entontece. Sinto o cheiro da chuva. Não quero. Não espero. Tenho medo.  Não quero que isso – e você sabe do que falo- se dissipe em algumas nuvens que possam chegar e trazer a chuva”, disse ela com os olhos.