quarta-feira, 21 de julho de 2010
Conversas de Boteco
terça-feira, 18 de maio de 2010
O Rio de Janeiro continua lindo!
O Rio de Janeiro Continua sendo!
O Rio de Janeiro Fevereiro e águas de março!
Enchendo a pança dos bandidos
E buzinando para as moças
E comandando a massa
E continua achando que dá
As ordens no “terreiro”
domingo, 9 de maio de 2010
QG de fantasias
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Ela me contou
Obviamente, nin-guém na rua entendeu.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
O Fernando fala muito da minha Pessoa
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria.
Ah, os sentidos, os doentes que veem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão
Bastar-nos-ia sentir com clareza a vida
E nem repararmos para que há sentidos.
Mas graças a Deus que há imperfeição no mundo
Porque a imperfeição é uma coisa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma coisa a menos,
E deve haver muita coisa
Para termos muito que ver e ouvir
(Enquanto os olhos e ouvidos não se fecham).
Fernando Pessoa -ou melhor dizendo-, Alberto Caeiro em uma das páginas de seus poemas completos.
domingo, 1 de novembro de 2009
22:30 - Um péssimo horário para morrer
Sentados, queriam chegar em casa, quando todas as luzes se apagaram com o trem ainda em movimento. De súbito, as portas abriram e as únicas luzes que restaram foram as da estação. A curiosidade por saber o que estava a acontecer foi imensa.
Só sei do que vi
A música parou de tocar nos ouvidos; os pés ficaram inquietos; as mãos começaram a suar frio; as bolsas e mochilas foram apertadas ao corpo; as conversas foram deixadas pela metade; o medo do desconhecido e os outros sentidos foram atiçados. A única coisa que se fazia sabida era a de que todos ali queriam chegar em casa, sãos e salvos. De repente um sinal, e a luz-no-fim-do-túnel: “atenção! Estamos parados devido à presença de usuário na via na estação à frente, Anhangabaú”. Todos, mesmo que inconsciente, soltaram um coro que inspirou metade tristeza e metade indignação. Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Tsc, tsc.
Em respeito ao fim
Maria de Lourdes, 57 anos, resmungou o tempo todo: “não poderia ser pior? Trabalhei o dia inteiro, aguentei chefe na minha orelha, cobri o plantão de duas pessoas e ainda tenho que enfrentar isso para ir embora? É um absurdo! Pode até se matar, mas não estraga a vida dos outros, né?”.
O caos instaurou-se. De tanto que foi, o riso no rosto das pessoas era inerente à situação. Não havia mais solução. Nenhum trem passou e a estação ficou lotada. Só rindo para não chorar. Ficaram a mercê de uma voz que pronunciava de cinco em cinco minutos calmamente: “senhores usuários, estamos circulando com velocidade reduzida, devido a presença de usuário na via”. Às vinte e duas horas e trinta minutos de uma sexta-feira, véspera de feriado. Definitivamente, um péssimo horário para morrer. Mas quem é Deus, afinal, não é? Às vinte e três horas e quarenta minutos, a normalidade voltou. Claro, em respeito ao finado fim.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Espiritualidade
Lembrou de sábado à noite, quando estava sentada na calçada de madrugada com amigos, ouvir um taxista de cabelos brancos dizer:
-"a vida acaba aqui? Ué, então vamos matar, roubar, fazer de tudo, não é? É assim que eles pensam. É fácil demais usufruir de um pensamento desse. Para que fazer o bem, então? Se fosse assim, exatamente assim, não teria um porquê".
E continuou a ler: e, talvez, um outro planeta e outros mais, em que a espécie humana renasceria, subindo cada vez um degrau a mais (uma vida) nas escala do amadurecimento. Era essa a ideia que Tomas fazia do eterno retorno".
"Nós, aqui na Terra (no planeta número um, no planeta da inexperiência), podemos ter apenas uma ideia muito vaga daquilo que acontece com o homem nos outros planetas. Teria ele mais sabedoria? Estaria a maturidade a seu alcance? Poderia atingi-la através da repetição?", e suspirou "...o otimista é aquele que acredita que a história humana será menos sangrenta no planeta número cinco. O pessimista é aquele que não acredita nisso".
domingo, 23 de agosto de 2009
Conversas de boteco
E eu, continuando, "adoro essas filosofias. No jogo do bicho, será que a vida ganha? Hahahaha. Não deve ter "humano" lá; eles contam apenas os irracionais, né. Que, aliás, às vezes são mais racionais do que os próprios seres humanos (se é que podem ser chamados assim).
Como diria João Antônio, "cada um defende a sua e atira na do outro". Aposte sua vida no jogo, só pra ver se realmente ela sempre ganha no jogo da vida.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
sábado, 8 de agosto de 2009
Névski, Paulista, Times Square e Dropsie
Enquanto os carros passam em um movimento frenético quase que indestrutível e as pessoas não se olham mais nos olhos, o ambulante de filmes piratas oferece aos seus possíveis fregueses uma promoção de “três por dez” para conseguir uns grandes trocados e voltar para sua terra de origem antes que o Rapa chegue; as madames de bolsas e casacos de pele animal passeiam empinadas, olham os óculos escuros na vitrine, e compartilham futilidades indizíveis sobre seus maridos empresários provedores do pão de cada dia de seus filhos que cultivam a infidelidade com a secretária de óculos e saia no corpo colada sem que elas saibam.
Em outra esquina um homem moribundo de terno e chinelos, grita pedaços da bíblia para que todos ouçam a palavra de um suposto Deus, que para ele existe e se personifica na forma de um cifrão dourado e vezenquando prateado; na frete da vitrine da livraria estão todos os lançamentos literários-contadores-de-histórias estampados a serem mostrados para a multidão que passa, e nem os percebe, nem os vê; como em uma crônica de João do Rio, um jovem-homem senta na mesa de um bar, pede uma dose de uísque e ali fica a observar toda, toda, toda essa melancolia.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Coisas D'alma
-Escuta, como é que você sabe todas essas músicas?
Olhou para ela com um certo ar desimportante e continuou a cantarolar.
-Não é possível.
Cantarolava, cantarolava, cantarolava.
-Hein? Hã? Como é que é?
Desconfiada e insistente, continuou:
-Mas hein! Mo diga!
Cantarolava, cantarolava, cantarolava.
-É. Tá na alma, né? Só poderia. Eu sabia.
Continuou a cantarolar como se fosse a única resposta. E de fato: foi, era e é. Quem é capaz de compreender certas coisas d'alma?
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Cada macaco no seu galho?
Porteiro: Ô, Andréa! Tava conversando com a sua mãe, lembrei que quando eu entrei aqui você tinha dois anos só. Tá crescida, né!
Eu: É mesmo. Faz tempo, hein?
Porteiro: É, pra você ver...
Eu: É.
Porteiro: Mas e aí, eu nunca mais te ví. Você nunca mais chegou tão tarde como chegava...
Porteiro: Ah, então por isso que não ví mais o Alemão por aí? Botou ele pra correr, é? (risos)
Eu: É. Não tava dando certo mais.
Porteiro: Ah... Tá certo, quando é assim, não dá mesmo. É melhor cada um ir para um canto.
(pausa) Sabe, o fulano de tal disse que viu ele outro dia no negócio lá, de... de, concursos, lá, não sabe?
Eu: Nossa, quem?
Porteiro: Ah, o moço do apartamento número tal.
Eu: Vish. Eu, hein? Mas o fulano nem sabia quem era!
Porteiro: Ah, mas as pessoas sabem, Andréa. As pessoas sabem. (risos)
terça-feira, 30 de junho de 2009
Uma previsão um tanto quanto esqui(sofrênica)sita.
Bom humor e boa disposição social tendem a ser a tônica neste período, Andréa. Dar uma de socialite, colocar o sorriso no rosto e sair falando sozinha na rua faz parte da vida, meu bem. Marte estará formando um ângulo estimulante e harmonioso à sua Lua de nascimento, e isso costuma dar uma dinamizada à vida emocional, queridinha. Cores mais leves, puras e pastéis passam a tonificar o seu emocional, e este não é apenas um momento socialmente interessante como, sobretudo, tende a ser uma fase de reações emocionais positivas. Portanto, não segure seus instintos, isto não é nada natural. Não se reprima!
