Mostrando postagens com marcador besteirinhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador besteirinhas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Conversas de Boteco

Estava escrito: "aposte a sua vida, ela sempre ganha". Pensei alto, "talvez ela sempre ganhe mesmo, contra seja-lá-o-que-for". Ela ouviu e logo retrucou, "na verdade, é a frase de um amigo. 'Vou ver se aposto a vida no bingo, prá ver se ganho'. Filosofia de boteco, sabe?". E eu, continuando: "adoro essas filosofias. No jogo do bicho, será que a vida ganha?"- perguntei. Ela, explicativa: "não deve ter "humano" lá; eles contam apenas os irracionais, né". -"É, e às vezes mais racionais do que os próprios seres humanos (se é que podem ser chamados assim)". Uma pausa, uma respiração e,  -"Como diria João Antônio, 'cada um defende a sua e atira na do outro'. Eu apostaria. Apostaria só pra ver se realmente ela sempre ganha no jogo da vida, ou se o negócio é só apostar no bingo mesmo".

(originalmente publicado em 23 de agosto de 2009, quando terminei de ler uma edição do Malagueta, Perus e Bacanaço, que a dona do Baiúca Cultural me deu de presente).

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Rio de Janeiro continua lindo!

O Rio de Janeiro Continua cheio!
O Rio de Janeiro Continua sendo!
O Rio de Janeiro Fevereiro e águas de março!
Alô, alô, chuvarada
Aquele Abraço!
Alô torcida da esperança
Aquele abraço!
A polícia continua
Enchendo a pança dos bandidos
E buzinando para as moças
E comandando a massa
E continua achando que dá
As ordens no “terreiro”

domingo, 9 de maio de 2010

QG de fantasias

Entre fagulhas, angústias e medos, algumas conversas chegam até ela como que propositalmente. (E, sinceramente, o meu jeito de escrever chega a ser cansativo às vezes. Estou farta dele. Já não há mais sobre o que tanto falar e eu ainda insisto em insistir). Deixando os floreios de lado voltemos às fagulhas angústias e medos: ela disse que tudo hoje faz muito sentido em relação aos acontecimentos passados. Enquanto  isso, o Legião Urbana contaminava o ambiente com a cocaína em forma de tristeza. Quis dizer, na verdade, que lembrava dos momentos de criança, em que se trancava no quarto para ouvir músicas em uma fitinha cassete especial em que tinha de um lado Black Sabath e do outro Janis Joplin, além dos momentos em que ficava em silêncio, deitava no chão e ia de pedaço em pedaço copiando as letras que Renato Russo cantava só porque também queria saber Faroeste Caboclo de cor como todo mundo.
Entre suspiros angústias e indagações, lembrou dele e olhou milésimas vezes para o celular esperando que ele emitisse algum som. E na-da. Nada. Ele não toca. Ele não liga. A outra a lembrou que uma vez, nas férias, quando sua avó já deixara esta parte territorial do mundo, que todos os amigos vinham chamá-la para sair, brincar e se divertir -coisas de criança, e ela recusava. Preferia ficar entre televisões, livros e a fitinha do Black Sabbath. Na maioria das vezes ficava em seu quarto, lugar que na época servia de QG para suas fantasias. "Changes" começou a tocar no rádio, e uma lágrima silenciosa caiu de seus olhos. Não deixou que ninguém visse. "I'm going throug changes...".
Pensou que tudo hoje faz sentido. É hoje o que é porque é o que sempre foi.  Nada mudou.  Ainda é a mesma. Ainda é a mesma menina que se tranca em meio a livros, fitas cassetes e lápis e papéis. Com a diferença de que agora amores e desamores desgarrados cheios de paixões sem saber o porquê a preenchem. E não sabe o porquê de se entregar a eles. Ao menos sente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ela me contou

que um dia, em NY, um mendigo louco, daqueles desvairados que andam por aí falando sozinhos, com as roupas rasgadas, um cachorro na sombra, mendigando de boteco em boteco, divertido sorrindo a toa em sua desgraça e fedidos como o pior esgoto de São Paulo, viu que ela era a única que lhe dava certa atenção disfarçadamente com o olhar, e não hesitou em gritar: "Smile! Smile! And the world will be yours!", enquanto ela passava.

Obviamente, nin-guém na rua entendeu.



Sorria! Sorria! E o mundo será seu!

E eu? Ah, eu guardei a sete chaves.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Fernando fala muito da minha Pessoa

No entardecer dos dias de verão, às vezes
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria.

Ah, os sentidos, os doentes que veem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão
Bastar-nos-ia sentir com clareza a vida
E nem repararmos para que há sentidos.

Mas graças a Deus que há imperfeição no mundo
Porque a imperfeição é uma coisa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma coisa a menos,
E deve haver muita coisa
Para termos muito que ver e ouvir
(Enquanto os olhos e ouvidos não se fecham).

Fernando Pessoa -ou melhor dizendo-, Alberto Caeiro em uma das páginas de seus poemas completos.

domingo, 1 de novembro de 2009

22:30 - Um péssimo horário para morrer

“Tudo exatamente como planejei. Tudo exatamente como eu planejei. Sabe o que acontece agora que matei? Matarei. Matarei. Matarei. Matarei”.
Matanza – Matarei


Cansados, exaustos, impacientes, frenéticos, preocupados e ansiosos em uma sexta-feira (30), véspera de feriado em São Paulo. Feriado este, em homenagem àqueles que já se foram, aos chamados, finados, enfim. Uma espécide de celebração à nostalgia do fim.
Sentados, queriam chegar em casa, quando todas as luzes se apagaram com o trem ainda em movimento. De súbito, as portas abriram e as únicas luzes que restaram foram as da estação. A curiosidade por saber o que estava a acontecer foi imensa. 

Só sei do que vi
A música parou de tocar nos ouvidos; os pés ficaram inquietos; as mãos começaram a suar frio; as bolsas e mochilas foram apertadas ao corpo; as conversas foram deixadas pela metade; o medo do desconhecido e os outros sentidos foram atiçados. A única coisa que se fazia sabida era a de que todos ali queriam chegar em casa, sãos e salvos. De repente um sinal, e a luz-no-fim-do-túnel: “atenção! Estamos parados devido à presença de usuário na via na estação à frente, Anhangabaú”. Todos, mesmo que inconsciente, soltaram um coro que inspirou metade tristeza e metade indignação. Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Tsc, tsc.

Em respeito ao fim
Maria de Lourdes, 57 anos, resmungou o tempo todo: “não poderia ser pior? Trabalhei o dia inteiro, aguentei chefe na minha orelha, cobri o plantão de duas pessoas e ainda tenho que enfrentar isso para ir embora? É um absurdo! Pode até se matar, mas não estraga a vida dos outros, né?”.
O caos instaurou-se. De tanto que foi, o riso no rosto das pessoas era inerente à situação. Não havia mais solução. Nenhum trem passou e a estação ficou lotada. Só rindo para não chorar. Ficaram a mercê de uma voz que pronunciava de cinco em cinco minutos calmamente: “senhores usuários, estamos circulando com velocidade reduzida, devido a presença de usuário na via”. Às vinte e duas horas e trinta minutos de uma sexta-feira, véspera de feriado. Definitivamente, um péssimo horário para morrer. Mas quem é Deus, afinal, não é? Às vinte e três horas e quarenta minutos, a normalidade voltou. Claro, em respeito ao finado fim.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Espiritualidade

As pessoas paradas em pé escutavam suas próprias músicas, mergulhadas em seus únicos pensamentos. Enquanto ela, a menina -com cara de mulher- lia atentamente: "suponhamos que existisse no universo um planeta no qual fosse possível nascer uma segunda vez. Ao mesmo tempo, nos lembraríamos perfeitamente da vida que tínhamos levado na Terra; de toda experiência que teríamos aqui adquirido. Talvez existisse um planeta em que se nascesse uma terceira vez, com experiência de duas vidas já vividas".
Lembrou de sábado à noite, quando estava sentada na calçada de madrugada com amigos, ouvir um taxista de cabelos brancos dizer:  
-"a vida acaba aqui? Ué, então vamos matar, roubar, fazer de tudo, não é? É assim que eles pensam. É fácil demais usufruir de um pensamento desse. Para que fazer o bem, então? Se fosse assim, exatamente assim, não teria um porquê".
E continuou a ler: e, talvez, um outro planeta e outros mais, em que a espécie humana renasceria, subindo cada vez um degrau a mais (uma vida) nas escala do amadurecimento. Era essa a ideia que Tomas fazia do eterno retorno". 

"Nós, aqui na Terra (no planeta número um, no planeta da inexperiência), podemos ter apenas uma ideia muito vaga daquilo que acontece com o homem nos outros planetas. Teria ele mais sabedoria? Estaria a maturidade a seu alcance? Poderia atingi-la através da repetição?", e suspirou "...o otimista é aquele que acredita que a história humana será menos sangrenta no planeta número cinco. O pessimista é aquele que não acredita nisso".

domingo, 23 de agosto de 2009

Conversas de boteco

Estava escrito: "aposte a sua vida, ela sempre ganha". Pensei alto, "talvez ela sempre ganhe mesmo, contra seja-lá-o-que-for". Ela ouviu e logo retrucou, "na verdade, é a frase de um amigo. 'Vou ver se aposto a vida no bingo, prá ver se ganho'. Filosofia de boteco, sabe?".
E eu, continuando, "adoro essas filosofias. No jogo do bicho, será que a vida ganha? Hahahaha. Não deve ter "humano" lá; eles contam apenas os irracionais, né. Que, aliás, às vezes são mais racionais do que os próprios seres humanos (se é que podem ser chamados assim).
Como diria João Antônio, "cada um defende a sua e atira na do outro". Aposte sua vida no jogo, só pra ver se realmente ela sempre ganha no jogo da vida.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Guarda-escritos


Tarso M. (Mostra Sesc de Arte 08)

sábado, 8 de agosto de 2009

Névski, Paulista, Times Square e Dropsie

Ao mesmo tempo em que a menina de All Star, jeans e iPod nos ouvidos anda apressada pela calçada da vida, o chale azul claro da moça que está a passar fica preso no botão da bolsa feita de couro da outra que o solta com rara gentileza; a moça bonita, sozinha a andar, avista um amigo que não vê há tempos e como uma surpresa pula na frente dele para dar um abraço saudosista; a mendiga fedida enrolada em sacos plástico faz uma súplica aos céus para que ao menos uma moedinha caia em seu potinho de esmolas, e que por favor, “meu santo Deus!”, nesta noite não chova no seu papelão.
Enquanto os carros passam em um movimento frenético quase que indestrutível e as pessoas não se olham mais nos olhos, o ambulante de filmes piratas oferece aos seus possíveis fregueses uma promoção de “três por dez” para conseguir uns grandes trocados e voltar para sua terra de origem antes que o Rapa chegue; as madames de bolsas e casacos de pele animal passeiam empinadas, olham os óculos escuros na vitrine, e compartilham futilidades indizíveis sobre seus maridos empresários provedores do pão de cada dia de seus filhos que cultivam a infidelidade com a secretária de óculos e saia no corpo colada sem que elas saibam.
Em outra esquina um homem moribundo de terno e chinelos, grita pedaços da bíblia para que todos ouçam a palavra de um suposto Deus, que para ele existe e se personifica na forma de um cifrão dourado e vezenquando prateado; na frete da vitrine da livraria estão todos os lançamentos literários-contadores-de-histórias estampados a serem mostrados para a multidão que passa, e nem os percebe, nem os vê; como em uma crônica de João do Rio, um jovem-homem senta na mesa de um bar, pede uma dose de uísque e ali fica a observar toda, toda, toda essa melancolia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Coisas D'alma

Todas as músicas que se mostravam no toca-fitas, sabia de cor e salteado, sem errar o compasso e o tom de um refrão sequer. No caminho, perturbada e um tanto quanto intrigada com tal fato, a outra ao seu lado indagou:
-Escuta, como é que você sabe todas essas músicas?
Olhou para ela com um certo ar desimportante e continuou a cantarolar.
-Não é possível.
Cantarolava, cantarolava, cantarolava.
-Hein? Hã? Como é que é?
Desconfiada e insistente, continuou:
-Mas hein! Mo diga!
Cantarolava, cantarolava, cantarolava.
-É. Tá na alma, né? Só poderia. Eu sabia.
Continuou a cantarolar como se fosse a única resposta. E de fato: foi, era e é. Quem é capaz de compreender certas coisas d'alma?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Cada macaco no seu galho?

Ontem a noite tive uma conversa um tanto quanto inusitada com o porteiro do turno da noite do prédio em que moro:

Porteiro: Ô, Andréa! Tava conversando com a sua mãe, lembrei que quando eu entrei aqui você tinha dois anos só. Tá crescida, né!
Eu: É mesmo. Faz tempo, hein?
Porteiro: É, pra você ver...
Eu: É.
(pausa)
Porteiro: Mas e aí, eu nunca mais te ví. Você nunca mais chegou tão tarde como chegava...
Eu: É, pois é. Naquela época eu tinha namorado e chegava bem tarde mesmo.
Porteiro: Ah, então por isso que não ví mais o Alemão por aí? Botou ele pra correr, é? (risos)
Eu: É. Não tava dando certo mais.
Porteiro: Ah... Tá certo, quando é assim, não dá mesmo. É melhor cada um ir para um canto.
(pausa) Sabe, o fulano de tal disse que viu ele outro dia no negócio lá, de... de, concursos, lá, não sabe?
Eu: Nossa, quem?
Porteiro: Ah, o moço do apartamento número tal.
Eu: Vish. Eu, hein? Mas o fulano nem sabia quem era!
Porteiro: Ah, mas as pessoas sabem, Andréa. As pessoas sabem. (risos)

Cada vez mais tenho a certeza de que nenhum macaco cuida do seu próprio rabo. E se cuida, adora dar uma bisbilhotada no do outro. Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Pois bem! Descobri que as pessoas vigiavam os meus passos, exageradamente falando, desde o dia que estava saindo do prédio junto com uma velhinha que só conhecia de vista me perguntou, "e o seu broto? Nunca mais ví! Ah, ele mora pros lados do meu filho, você sabia?".
Você não teria medo? Eu tive. E agora o porteiro. Primeiro ele sabia a que horas eu chegava e a que horas eu saía. Segundo, ele sabia que meu ex-namorado fazia cursinho para concursos públicos. Terceiro, ele ficou sabendo disso porque foi alguém que eu nem sei quem é sabia e contou para ele. Meu Deus! Queria entender da onde saem essas informações, e como é que funciona a astúcia das pessoas para ter essa relação com a vida alheia. Porque afinal de contas... Como o próprio porteiro disse, "as pessoas sabem", elas simplesmente sabem.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Uma previsão um tanto quanto esqui(sofrênica)sita.

Bom humor e boa disposição social tendem a ser a tônica neste período, Andréa. Dar uma de socialite, colocar o sorriso no rosto e sair falando sozinha na rua faz parte da vida, meu bem. Marte estará formando um ângulo estimulante e harmonioso à sua Lua de nascimento, e isso costuma dar uma dinamizada à vida emocional, queridinha. Cores mais leves, puras e pastéis passam a tonificar o seu emocional, e este não é apenas um momento socialmente interessante como, sobretudo, tende a ser uma fase de reações emocionais positivas. Portanto, não segure seus instintos, isto não é nada natural. Não se reprima!

É curioso observar também, Andréa, como muitas vezes passamos dias, às vezes até meses e anos mergulhados numa chateação, num ressentimento, numa convivência podre com um sentimento repugnante. Sim, remoemos, ruminamos aquilo, até que de repente - catapuft! - você engole ou vomita (pode escolher) e a coisa passa. Mágico, não? Em geral, são nos ciclos positivos de Marte com a Lua que a pessoa simplesmente sacode a poeira e dá a volta por cima, livrando-se de emoções chatas que não lhe servem mais, utilizando-se, é claro, do bom humor e das energias boas inatas ao momento. E este momento, para você, é agora!
Daí a importância de, neste exato momento que falamos conhecer gente nova, permitir-se trocar emoções com os outros, fazer coisas que lhe dão prazer. Coisas que lhe dão prazer ouviu bem, querida? Arriba, muchacha! É um ótimo momento para o intercâmbio de sentimentos, não se prenda. Vá, descubra! Passe de um para o outro sem pedir licença. A expressão das emoções, para o poeta romântico que vive dentro de você, é fundamental, sobretudo com as pessoas mais íntimas, da família, os amigos mais chegados, ou os amores, talvez, quem sabe, porque não? Sinto que você encontrará pessoas queridas envolta de uma fogueira. Isso é o que Plutão diz sobre o seu período de 29/06 a 15/07, aproveite bonitinha.