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terça-feira, 16 de junho de 2009

Brindar-vos-ei tagarelas do mundo!

Ora, a natureza não protegeu nada com tanto cuidado em nós como a língua, diante da qual postou a guarnição dos dentes para que, se ela não obedecer às rédeas rutilantes que o pensamento puxa para dentro e se não se contiver, nós possamos controlar sua incontinência mordendo-a até arrancar sangue.
Sem freio não é decerto a casa ou o celeiro, mas sim 'a boca que conduz à desgraça', diz Eurípedes.
(PLUTARCO, Sobre a Tagarelice)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pausa para uma leitura diferenciada:

Finge que é famosa. Finge que é de vanguarda. Finge que custa algo mesmo. Finge que ganhamos para isto. Finge que somos jornalistas famosas. Finge que é de verdade. Finge que é reprodução. Finge que não é única. Finge que a fotografia é arte. Olha e Finge.
Download do protótipo da revista fictícia MODERN'ART produzida por alunas de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie para a matéria 'Estética e História da Arte', no 4º semestre. Dentre elas, eu :)
créditos: Fernando Coelho

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Pólis do Paraíso

Andei como uma condenada naquele dia. Só de lembrar minhas panturrilhas se estremecem de fadiga: foram uns exagerados 10 km a pé, depois de descer do Jardim das Palmas-Hospital das Clínicas na altura do número 2.600 da Av. Giovanni Gronchi. Olhava tudo com muita discrição, e ao mesmo tempo com uma ansiedade e um receio pulando por dentro. Nunca havia entrado em uma favela, e lá estava Paraisópolis a me esperar.
Com um gravador na mão, a utopia na cabeça, e mais três amigos, fui andando e registrando com meus olhos: casarões com muros altos, ruas desertas, carros importados, muito dinheiro, portões de alta segurança, e uma bifurcação. Conforme subíamos a rua, a realidade dentro de outra realidade se mostrava. O mundo das ruas e não das casas, da malandragem e não da maquiagem, da pobreza e não da riqueza, da luta e não da perda, da vida e não da morte, de milhares e não de poucos, do povo e de gente como a gente.
À frente um bar, uma mesa, um senhor, uns olhos vermelhos, uma garrafa, uma criança, e quatro estudantes andarilhos de jornalismo. Ao lado uma casa, uma porta de vidro, várias roupas, uma máquina de costura e uma senhora: “Com licença! Por favor, a senhora sabe onde fica a Associação de Moradores?”, “Sim. No final dessa rua”. Mal sabíamos que o final da rua estava bem longe do bêbado e da costureira.
A rua parecia nunca chegar ao fim, e o sol e o calor também não. A garrafinha de água já estava vazia, as pernas já estavam cansadas, os corpos suados, a paciência persistia, e o tempo já tinha se esgotado. Mas continuávamos. Uma ‘Casas Bahia’ gigante, um supermercado, um ônibus laranja estacionado, uma rua estreita, e um moço: “Por favor, a Associação de Moradores é por aqui mesmo?”, “Olha, moça, não sei, mas continua reto que você chega lá!”.
Mais adiante, um lugar encantador, e um devaneio sonhador apareceram. Havia um carro antigo parado em sua frente, parecia um opala e era bege, um branco sujo para melhor dizer. A Marcenaria que-não-me-lembro-o-nome, construía-se envolta de uma árvore grande e gorda. Cheia de penduricalhos, além de marcenaria era um antiquário. Colorido, estreito e curioso, havia também um senhor, uma cadeira, e uma cigarrilha sentados à porta. Bateu uma vontade enorme de entrar, conhecer e conversar, mas me contive. Ficou pra próxima, a visita ao senhor que dei o nome de Manuel.
Continuávamos. Encontramos numa esquina com um familiar: “olha, não parece o cachorro do Ensaio Sobre a Cegueira?”. Sim, parecia. Parecia não, era igualzinho. Bege, descabelado e perdido. Só não havia ninguém chorando na porta da vendinha em que se encontrava para poder mostrar realmente a que veio. ‘Descabelado, o cachorro enxugador de lágrimas!’.
Depois de guardar o gravador, esquecer da utopia, continuar com três amigos, não ter mais uma garrafinha cheia de água, estar com o desodorante vencido, com as bochechas coradas do sol, passar por um bêbado, uma criança e uma costureira, por subidas e descidas, por ruas estreitas, por um ônibus laranja solitário, por uma ‘Casas Bahia’, pela marcenaria do seu Manoel e pelo ‘Descabelado’ chegamos onde tínhamos que chegar.
Só aí, já dava pra escrever uma história e tanto. Sentamos, e ficamos por um bom tempo na companhia de João Antônio, Zélia Gatai, Graciliano Ramos, Tina Modotti, Gabriel García Marquez, e de livros com títulos do tipo, “O Sol é Para Todos” e “A Sangue Frio”. Sentar e ficar entre livros naquele momento, foi a glória, acredite.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Lula lá, Lula cá...

Chegamos, sentamos, e a conversa começou. Entre críticas ao governo Lula, e também à nossa excelentíssima primeira dama, Dona Marisa, foi que aconteceu um pequeno conselho:
-“Falo isso porque sou jornalista”.
“Ah! Você é jornalista? Eu faço jornalismo”
-“Ahhhh, é a pior profissão do mundo”
“É, eu sei que vou sofrer, tenho essa consciência”
-“Quer uma dica? Leia tudo, mas tudo mesmo. Até bula de remédio”.
[Risos]
-“Você nunca sabe sobre o que vai falar, por isso é muito importante saber de tudo. E também, você nunca vai escrever o que realmente quer, tá? A opinião ‘oculta’ sempre está lá".
A pessoa em questão estudou com Heródoto Barbeiro, trabalhou em tudo quanto é lugar, inclusive com o Amaury Júnior; não fez faculdade nenhuma, nen-hu-ma. Começou no jornal Correio da Manhã, no Rio de Janeiro, como o "leva e trás" de pautas e matérias para mão do editor. E logo depois, aos dezessete anos, foi ghost writer de Stanislaw Ponte Preta, jornalista, radialista etc e tal. Hoje, é assessor de imprensa. Ao final: "Olha, não esqueça do que esse velho de profissão te disse, hein?", "Pode deixar, não esquecerei", risos...
Como é boa a comunicação, como é bom conhecer pessoas, como é bom poder falar, como é bom poder ouvir.
  • Para saber mais,

[http://www.releituras.com/spontepreta_bio.asp]