segunda-feira, 16 de março de 2009

O menino das bolhas de sabão

Seguia seu caminho de todos os dias no meio do mundo. Despretensiosa, sentindo o vento bater, pensava nas pessoas, na vida, nas coisas, nas suas fantasias e no marasmo de todos os dias. Era apenas um dia que mostrava o seu melancólico fim.
Olhou para o céu, e como mágica uma chuva de bolhas de sabão apareceu no seu caminho. Levadas pelo vento, espalharam-se totalmente pela avenida. Pessoas atordoadas passavam, e nem reparavam no que estava a acontecer. Sozinha sorria, e sentiu ter encontrado a mágica ali, naquele momento.
Estava ali por inteira, e seus pensamentos mais ainda. O inesperado havia se feito, o incomum havia se manifestado. Como que num conto de fadas, rodopiava e andava entre as flores e bolhas mágicas de sabão do seu pensamento. 'Da onde vem?', pensou.
Andou mais uns passos à frente, e avistou a fonte. Era um menino. Um menino simples, sozinho, cabisbaixo, sem documentos, vendendo 'fazedores de bolhas de sabão' na rua. E para ganhar seus clientes, chuva deixou-se fazer.
Mexia com tanta vontade a manivela que soltava as bolhas no céu, que parecia por um momento ter esquecido quem era e o que estava a fazer ali. Era apenas um menino que bolhas de sabão no céu soltava.

3 comentários:

  1. Poético e romântico...
    bjs

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  2. Que lindo Déa! Até dei uma arrepiadinha básica nas pernas das canelas.

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  3. a necessidade fez o lúdico.

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