Este blog, como o próprio nome diz, Anotações, tem como objetivo traduzir por meio de pequenas anotações fragmentos que atraem sua autora no dia a dia. Para ela, o cotidiano é cheio de significados, e é impossível traduzi-lo cem por cento, e ainda isentá-lo de opinião e poesia. É quase que impossível. Toda a graça e magia acontece assim, nas pequenas coisas.
Ontem enquanto a autora deste singelo blog contava para um amigo sobre sua vida, outro que também estava na conversa falou: "mas nossa, só problemas, hein?". De certa forma, esta fala a fez acordar. Em meio a tanta tempestade o céu ainda não clareou, ou, ao menos, ela ainda não a enxergou -o que acredita ser mais provável-.
Certa vez ouviu dizer que nada acontece por acaso, e sempre acreditou nisso. Dias atrás recebeu um telefonema dizendo que uma pessoa tinha falecido. Foi no mesmo dia em que a atriz Mara Manzan também passou para o lado de lá. E logo disse, "já sei, a Mara Manzan", e a pessoa do outro lado retrucou, "Não. Sabe o senhor que você sempre via no metrô, e sempre quis conversar com ele, marido da fulana?", e ela, "Não, não acredito. Ao menos não quero acreditar. Eu vi ele ontem".
Ele, professor de literatura, tinha os cabelos brancos e compridos até a cintura. Usava um óculos grande, daqueles bem antigos e era alto, bem alto, parecia um Mago. Cruzava com ele várias vezes na rua, no metrô, moravam muito próximos. Nunca soube quem ele era, só o básico: professor de literatura. Sempre teve vontade de trocar alguns miúdos com ele, mas nunca se atreveu a falar um simples "olá". Pelo o que falam, ele morreu tranquilamente. Chegou em casa, sentou na poltrona e ali ficou. Seu semblante era de felicidade, parecia sorrir.
Hoje, diante de tantas coisas a fazer, e a ânsia no peito para abraçar o mundo, a autora ficou em casa para tentar se organizar em meio ao caos, quando cai em suas mãos um texto feito por sua esposa quando de sua morte e teve a certeza, mais uma vez, de que nada é por acaso acreditem vocês ou não: